sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Nada que um café não resolva


Minha irmã e eu temos cinco anos de diferença e alguns quilômetros que nos separam mas nunca estivemos tão juntas como agora,mesmo quando vivianos na mesma casa,porque era uma disputa de território uma guerra travada todos os dias...
Já nos odiamos,brigamos,ficamos dias sem se falar,mas no final sempre estávamos juntas de novo rindo de tudo,inclusive de nós mesma,porque sempre fomos boas nisso e o sangue sempre falava mais alto.
Na época do colégio nem nos falávamos,só quando chegava em casa,mas era só eu me meter em alguma encrenca e ela aparecia pra me salvar,pra brigar com quem quer que fosse como uma leoa era o lado irmã mais velha falando mais alto e eu nunca agradeci mais ela sabe...
Conhecemos o pior uma da outra e o melhor também,os grandes micos,o passado vergonhoso,ela lembra de mim com aparelho e espinas,eu lembro do corte de cabelo horroroso dela da banda que ela adorava e que hoje nega até o morte que ouvia,eu sempre gravava uma musica pra ela ouvir quando ficava triste e ela sempre me pagava um sorvete,quando eu ficava ansiosa antes de fazer algo importante,minha irmã sempre me ensinou a levar a vida com bom humor,e foi a melhor coisa que ela fez por mim.
Hoje,ela tem a vida dela eu a minha,ela tem uma casa enorme com a porta vermelha um casal de filhos,um marido muito gentil e um verdadeiro lar,e eu tenho meu apê, minhas coisas que eu amo,minha liberdade,minha vida corrida trabalhando como um camelo,mas sempre que pode ela aparece por aqui,trazendo um vasinho de flor que ela mesma plantou diz que '''trás mais alegria'',ela sabe que a ultima planta já morreu,e nem liga mais,faz uma faxina completa na minha casa,sem pedir permissão mesmo,coisa de quem tem intimidade demais,ela sabe o que pode joga fora e o que não pode,deixa recadinhos pra que eu me lembre onde cada coisa está porque normalmente eu demoro uma semana pra me  situar depois dessa faxina mas não reclamo até gosto do cheiro de lavanda do desinfetante que ela adora usar, a casa fica como se fosse outra.
Entre um arrumação e outra ela sempre me dá seus conselhos sobre coisas fúteis,como ''onde comprar verduras,até coisas mais profundas,como,''como lidar com a vida'',mas ela diz tudo de um forma simples como se passasse a receita de um bolo,porque sabedoria ela tem de sobra.
Depois da faxina, prepara um café pra nós duas,fazemos piada dos nossos problemas e uma olha pra outra não é preciso dizer nada,tudo fica ali no olhar e como ela sempre diz''não há nada que um bom café não resolva'',depois que vai embora  eu sempre fico aquecida por dentro,como uma sensação de saciedade, mas da alma, o segredo não é o café,mas esse momento só nosso,essa união que foi construída pelo tempo,essa intimidade que eu sei que não terei com mais ninguém e principalmente o fato de saber que eu tenho um lugar pra me acolher quando as coisas ficam difíceis,um lar que não é feito de matéria...o coração da minha irmã onde eu sempre vou encontrar uma xícara grande de café...

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