sábado, 23 de novembro de 2013

Sorte e escolhas bem feitas

Autoria:Martha Medeiros
Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas
felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos
alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.
Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice.
O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal,
não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói.
Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive.
No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão,
mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana.
Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.
Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas.
Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura
e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde.
Até aí, conta-se com a providência divina.
O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.
Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais
a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos,
se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece
os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica,
se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.
A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe.
Tem gente que é infeliz porque tem um câncer.
E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial.
Os que têm câncer não têm sorte.
Mas os outros, sim, têm a sorte de optar.
E estes só continuam infelizes se assim escolherem.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quando você olhar pra trás


Esse texto é pra quando você olhar pra trás,isso um dia vai acontecer,pode ser que demore muito,
ou que logo amanhã,você perceba que eu não estou mais lá,naquele pequeno espaço que você
reservou pra mim,espaço que já não é suficiente pra mim a um bom tempo.
Sei que você vai olhar pra trás e a ficha finalmente vai cair,porque agora você anda como se eu não
tivesse importância,está acostumado a me ter por perto,mas isso vai mudar...
A vida é assim,a gente demora pra perceber o que está errado,depois demora pra aceitar e reagir
 e eu estou reagindo agora,e não pense que é egoismo meu é só respeito próprio,
vontade de ter alguém por inteiro e não só partes,vontade de ser o universo de alguém
e não uma mera estrela perdida no meio de uma constelação distante
em que as vezes você nota,é eu não quero mais isso.
Eu  vou sentir sua falta,e sei que também vai sentir a minha mesmo que nunca admita isso,
sei que vai notar o quanto eu fui importante pra você,vai até rir sozinho das coisas que eu te dizia.
vai querer compartilhar seus sentimento e medos com alguém mas quem?
Vai querer alguém que seja sincero com você e que diga certas verdades dolorosas,
mas não vai haver ninguém.
Ninguém com quem você possa ser frágil ou com quem possa ser você mesmo,porque eu te entendia assim,entendia essa bela bagunça que você é.
Eu entendi e aceitei ,muitas coisas por muito tempo,agora já não posso mais,não com essa sede toda
dentro de mim,sede de alguém que me oferte amor sem que eu precisar pedir,
''não peça coisas que deveriam ser oferecidas'' eu ouvi isso certo dia,e é verdade.
Mesmo assim obrigada pelos momentos bons,porque serão só eles que eu vou levar comigo,
obrigada pelas lições,pelas conversas,você foi uma peça importante da minha história,
isso eu também não vou esquecer,mas esse quebra cabeça aqui não é feito de uma só peça não é?
Então se cuida,espero que só guarde o que foi bom de nós,mas pode ter certeza,
que eu não vou olhar pra trás...


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Reverência ao destino


Autoria:Carlos Drummnond Andrade

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. 
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá. 

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias. 
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado. 

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. 
E com confiança no que diz. 

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação. 
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer. 

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado. 
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. 
E é assim que perdemos pessoas especiais. 

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar. 
Difícil é mentir para o nosso coração. 

Fácil é ver o que queremos enxergar. 
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. 
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil. 

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?" 
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas... 

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. 
Difícil é sentir a energia que é transmitida. 
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa. 

Fácil é querer ser amado. 
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. 
Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama. 

Fácil é ouvir a música que toca. 
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas. 

Fácil é ditar regras. 
Difícil é seguí-las. 
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros. 

Fácil é perguntar o que deseja saber. 
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta. 

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. 
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria. 

Fácil é dar um beijo. 
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro. 

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida. 
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro. 

 Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica. 
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado. 

Fácil é sonhar todas as noites. 
Difícil é lutar por um sonho. 

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, 
que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Preciso de Alguém


Autoria:Cristiana Passinato

Preciso de alguém...
Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir,
mesmo sabendo que posso odiá-lo por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia,
nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora
se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio,
a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja muito pouco para suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias,
nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade,
grite em coro comigo: 'Nós ainda vamos rir muito disso tudo', e ria muito.
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo,
mas posso escolher meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma,
pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples,
mais rica e mais bela.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Aqueles olhos


Eu estava cantando em um bar como em todas as outras noites
noites frias de dezembro,cantando coisas que só dizem respeito a mim
coisas tão intimas que eu nunca teria coragem de dizer em voz alta
mas cantar em um bar onde as pessoas sempre  estão ocupadas demais
pra te notar é diferente, é como cantar para o nada,pra mim mesmo
e ainda ganho uns trocados por isso.
Todas as noite sempre é do mesmo jeito,não sei a quanto tempo.
tudo igual,as mesma pessoas sem rosto o mesmo palco pequeno
e empoeirado e meu velho violão.
Exceto numa quinta feira gelada,era 21 de dezembro,
eu estava cantando sobre um amor antigo quando
senti que estava sendo observado,
já nem me lembrava mais como era ser notado por alguém
e quando ergui meus olhos eu percebi aqueles olhos azuis,
me olhando com tanta intensidade como se me conhecesse mas
eu sabia que não,que nunca havia  visto aquela garota,
com o rosto que parecia uma bela mescla de raças,
como se alguém resolvesse misturar o melhor de cada tribo
em um rosto só,o que a faria ser notada a quilômetros,
ela usava roupas de inverno,que pareciam ser caras,
mas não tinha nenhuma joia,com se precisasse o próprio cabelo
já lhe servia de adorno,eram cabelos negros e ondulados,
moldando sua face de traços fortes.
Eu não parei de cantar,também não parei e olha-la,não sabia se teria essa mesma
chance outra vez,afinal a vida me ensinou que chances não devem ser desperdiçadas,
Não eu não ia me envolver com ela,afinal ela devia ter uns 19 anos,enquanto eu tenho
37,não acho certo,pelo contrario,eu queria aquela sensação boa de ser notado por
alguém,que me fazia lembra que eu não era invisível,eu queria saber que alguém estava
ouvindo minha canção,o que era como compartilhar um segredo,eu só queria olhar
aqueles olhos,naquele momento eu não notei que estava cantando pra ela,como se ela
fosse o meu amor perdido,como dizia a musica,porque não era,ela era uma estranha
mas os seus olhos tinham um poder incrível,eles me levavam de volta pra um lugar
feliz,me levavam de volta pra casa,não importava quanto tempo iria durar,e eu fiz
durar o máximo que eu pude,bom aquela foi a musica mas longa que eu já cantei.